30 julho 2007

Semeador compulsivo

De entre muitas outras minhas compulsividades, a de semear ocupa um dos primeiros lugares. É quase como que uma obrigação.
Desde criança que me fascina o milagre do nascimento e crescimento das plantas. Lembro-me de desviar alguns feijões da dispensa e semeá-los em vasos onde já estavam outras plantas ou de os colocar em copos de iogurte, em cima de algodão humedecido e... ficar maravilhado por notar grandes diferenças todos os dias.
Entretanto, a minha relação com a "agricultura" sofreu um certo desencanto, porque a dimensão aumentou exponencialmente e a obrigação também.
Já adulto, também graças ao jardino-entusiasmo do meu amigo J, recuperei esta minha relação com os elementos naturais.
Em praticamente todo o meu percurso "artístico", os elementos naturais têm surgido espontaneamente: laranjas, maçãs, folhas, árvores, raízes, montanhas, nuvens, chuvas, peixes, flores,... ao lado de uma pretensa(?) abstracção, colorismo e gestualidade.

Paralelamente, desde que começou esta minha paixão pelos cactos e suculentas (ahahah, TZ), voltei ao prazer das sementeiras.
Claro que, agora, tenho algumas largas centenas de pequeníssimos cactos que, quando crescerem, não sei aonde os colocar! (depois logo se verá!)

No passado dia 17 de Julho recebi umas sementes dos Estados Unidos, que depois de imediatamente semeadas, estão agora em franco crescimento.
Hoje, voltei a receber mais sementes (desta vez sem sequer esperar)... Embora já tenha de começar a "inventar" locais onde colocar tanta caixinha e vaso,... claro que semeei tudo o que havia para semear!!!
(já enviei um email para esse meu conhecido dos Estados Unidos, pedindo-lhe que não me envie nem mais uma semente, porque eu simplesmente... NÃO RESISTO!!!)

Assim, hoje já semeei:
Aloé claviflora

Aloé hereroensis

Aloé melanacantha

Ariocarpus kotshoubeyanus

Crassula acinaciformis

Crassula alba v.alba

Crassula vaginata (chama-se mesmo assim...)

Euphorbia groenewaldii

Euphorbia platyclada

Rhipsalis baccifera

Stapelia gigantea

Titanopsis primosii

Alguém conhece um armazém/estufa para alugar, a um preço... simbólico?!?! :D

Este é o meu Gymnocalycium triacanthum...

Gymno triacanthum
... e está à espera que o vá buscar a Jaén (Puerta Segura)!

silly season

silly
Apesar do "conforto refrescante" que se faz sentir em "alguns" locais de trabalho, confesso de que preferiria estar em casa, a jardinar (i.e. de um lado para o outro), a pensar no que vou fazer a tanta "plantação" daqui a algum tempo, quando estiverem em condições de mudar para vasos maiores... e a martirizar-me pelo cansativo facto de que já deveria estar a pintar e... não estou!
Esta estação pateta, de desorganizada migração, transforma a totalidade dos dias da semana em apenas dois dias só (um muito mais longo do que o outro), um dia de trabalho e outro de não-trabalho, mas mesmo assim ambos parecem iguais, informes, sem brilho.
Há (tenho) uma sensação de que nada acontece, apenas se gastam horas, como tecido a metro, à espera de um fim. Uma pancada na cabeça, sem grande dor, mas de prolongado efeito!

29 julho 2007

Buéda difícil

As consequências da galopante adulteração da escrita e da "simplificação" da comunicação, tomam as mais ridículas e inesperadas formas.
Hoje, após uma sessão de cinema, ao aproximar-se de um balcão para tomar um café, assisti a uma conversa entre duas amigas, que tentavam interpretar uma mensagem SMS que uma delas tinha recebido do namorado.
Pelos vistos, a questão centrava-se na seguinte dúvida: Estaria ele a acabar a relação amorosa com ela?? As palavras estavam lá, "akabar", "kontigo", "yo", "bute", "tazaver", entre muito poucas outras. Só que ela(s) "keria" saber o que se passava sem ter de lhe telefonar, pois já só tinha "guita" prós SMS's. Para além disso, tava um chaval à espera dela "lá em baixo"...

Se a comunicação interpessoal já tem as suas próprias e incontornáveis aporias, que esperar destas próximas gerações, para quem a leitura de um livro lhes parece tão difícil quanto a travessia do Oceano Atlântico... a nado!!

27 julho 2007

Culpa

reborn

Ensaio a miragem de um recomeço, mesmo antes da noite chegar.
Olho com alguma perplexidade para as vivências destes meus recentes anos e nem a perplexidade nem as vivências constituem grande surpresa. Já há muito tempo que sucessivamente adio resoluções porque, fruto de uma extemporânea crença, me julguei responsável pela minha circunstância.
A minha relação com a variante culpabilização sempre foi muito desigual. Ela vencia sempre, mesmo com a inexistência de argumentos ou armas. Devido a uma exagerada formação judaico-cristã, bastava que as pessoas mais próximas julgassem que eu tinha feito algo de errado, para eu me sentir culpado e reagir como tal, gaguejando ou corando. Senti-me culpado por sentir desejo, senti-me culpado por mostrar que sentia desejo, senti-me culpado por ter saúde, por ser feliz, por sentir que havia quem gostasse de mim, para além da lista dos permitidos, senti-me culpado por simpatizar com alguém, por conhecer alguém, por implicitamente desobedecer e por querer ser Eu.
É óbvio de que isso era terrível e levei bastante tempo de "auto-análise" para me livrar de grande parte desse tipo de sentimento.

Agora, recupero parte de mim, a minha parte mais importante, embora a convalescença se me apresente longa e pontualmente penosa.

(Este texto só é possível porque é também suficientemente significativa a distância entre mim e o problema. Foi um "desabafo", eu estou bem!)

25 julho 2007

recomeçar do zero

astonish
Esta é das muitas imagens de que não me importava de ver, antes de morrer.


(Acompanhamento: Vinho Verde Loureiro - Adega Cooperativa de Braga)

Existem expressões que, por si só, são absolutos enigmas, expressões que se auto-denunciam, que se materializam através da sua própria impossibilidade. "Recomeçar do zero" é uma delas.
O Zero existe por pura conveniência. Possui, quiçá, uma maior carga simbólica do que a maioria dos vocábulos, por ser quase uma entidade, um local de convergência, o absoluto do Nada, que é simultaneamente Tudo!
Na Vida, a impossibilidade de "Recomeçar do Zero" é uma indiscutível (?) realidade, na medida em que todos somos "seres que somam" segundos, minutos, horas, dias e experiências, somos continuamente diferentes, somos mais a cada instante.
Colocado o pressuposto, tentarei retomar assuntos que por força maior abandonei, procurarei voltar a perseguir alguns sonhos que outrora tive, esperando que ao meu olhar volte aquele infantil brilho que algures perdi.

24 julho 2007

Com os cabelos em...

Todos os dias ouço rádio no carro, no percurso entre a minha casa e o emprego. Geralmente, opto pela TSF, que me põe a par das notícias de última hora e de algum problema de trânsito que possa ocorrer. (Quando saio de casa um pouco antes das 8:00, faço o trajecto praticamente em 10 minutos)
Acontece que às vezes ouço, não na TSF, mas em algumas outras estações de rádio, enormes e inacreditáveis disparates, ditos por "jornalistas" e por outros "homens/mulheres" que, supostamente, deveriam estar munidos de alguma bagagem de cultura geral!
Todas as expressões idiomáticas e ditados populares têm sentidos e significados muito próprios que, se não forem correctamente utilizados, não só perdem toda a "força", como também expõem ao ridículo a quem lhes dá mau uso, evidenciando uma "cultura" balofa, light e adquirida "à pressa".
Hoje, no "Rádio Clube", ouvi :"...os habitantes da Cidade de Queluz estão com os cabelos em... franja, por não ter sido ainda resolvido o problema..."

Será que numa próxima reportagem o criativo jornalista dirá :"...os idosos de Montemor-o-Novo andam com os nervos... em pé" ?!?!?!?

23 julho 2007

Quem espera sempre alcança

plumeria first flower

Confesso que, quando me deram este pedaço de "tronco", arrancado "à bruta" de um enorme exemplar de Plumeria, nunca pensei que pegasse tão facilmente (claro que o tratei sempre com muitos cuidados).
A espera revelou-se compensadora e dentro de dias terei vários exemplares desta magnífica flor. A simplicidade e o aveludado das suas pétalas enchem de orgulho qualquer jardineiro de quintal (ou jardim botânico, presumo eu!)

Agora, tenho escrever duas ou três frases, daquelas em que sou muito hermético, para continuar a alimentar a ideia de que só eu (na melhor das hipóteses) consigo perceber o que escrevi!

(estava a brincar... na maior parte das vezes.. NEM EU ENTENDO OUE ESCREVI!)

Tenham um Bom Serão!

(Que Serão, serão... ) <-- Momento Doris Day!

Chuva nocturna

growing stetsonia coryne
Stetsonia coryne

Mesmo os cactos mais "ferozes" estão satisfeitos com a sua nova casa e... crescem.
Gosto especialmente da "paleta de cores" desta fotografia, que tirei antes de sair de casa (7:45am)

Bom dia!! Amanhã, teremos Sol... de novo!

22 julho 2007

I'm (more than) just the shadow of the man I used to be.

shadow

Apesar de afectiva e anunciadamente estar amputado de um dos meus mais fortes e antigos alicerces, sinto-me disposto a ser mais do que apenas uma sombra.
Quase tudo está (continua) à distância de um gesto e, inesperadamente, estou tranquilo e confiante.
Demasiado tempo, demasiadas vezes acreditei que, de uma forma mais ou menos coincidente, o respeito e a cumplicidade eram algo biunívoco. A realidade é que a natureza humana é bastante complexa e não há nada mais verdadeiro do que aquilo em que acreditamos.
Tenho agendados pontuais (e não desejados) momentos de forte teor dramático mas já disso tinha a consciência, sabia que era inevitável, mais cedo ou mais tarde.

Boa Semana!

Turno da noite

Hoje levantei-me antes das seis da manhã. Apesar de só ter dormido cerca de 5 horas, acordei com uma energia primaveril, potenciada pelo acenar das flores de Echinopsis subdenudata, que abriram esta noite. Ainda pensei que quatro delas abririam em simultâneo, mas a natureza também tem os seus caprichos e... esta noite abrirão as duas mais jovens.

night shift

Sempre fui noctívago, especialmente no que diz respeito à leitura, à escrita e à deambulação mental (dito assim... parece uma doença), mas à medida que os anos passam tenho menos dificuldade em levantar-me cedo. Gosto de ver o Sol nascer, da mesma forma que gosto de ver o seu Ocaso. Gosto de ciclos, do que começa e do que acaba, quando é suposto que assim seja.
Tem sido assim um dia cheio: Já mudei uma série de vasos e retirei do canteiro as plantas que mais se queixavam do sol directo. Cavei e retirei mais metro e meio da terra que está infestada de "castanhol" (ainda faltam 2,5m), para finalmente poder terminar a questão dos canteiros cá de casa; Fiz uma série de fotografias, principalmente à estrela visual deste "post", que não cessa de me surpreender...

echinopsis subdenudata flower

Pintei a aguarela um desenho que fiz ontem à noite e arrumei alguma coisa no atelier. Aos poucos vou conquistando o espaço que me custou tantos anos de esforço e sonho. Todos os dias aprendo alguma coisa.

echinopsis subdenudata flower macro

Ainda não sei quando, nem quanto tempo durará, mas tenho um re-encontro marcado com a Felicidade.
Tenham um Bom Domingo!

20 julho 2007

gymno sp flower

Entro de costas por entre as portas do fim-de-semana, olhando com alguma perplexidade estes recentes dias, que ainda povoam o meu espírito. Chego à temporária conclusão de que sei pouco de muitos assuntos e demasiado de outros, poucos, felizmente.

A escrita constitui-se como a minha mais fiel e estruturante aliada, porque me ajuda a eliminar o excesso e a relativizar o essencial. No entanto, não consigo ser o que escrevo, porque sendo mais do que apenas estas palavras, não as consigo sequer igualar. Por onde ando eu? que perguntas terei de vir a fazer para as respostas que já tenho?

Acreditem de que, embora burgueses, os meus dilemas não são palacianos.

Viro-me e olho de frente o dia de amanhã, nada mais me resta!

19 julho 2007

Vicio-fugo-terapia

Tendo em conta que escrevo este texto sob o efeito do conteúdo de uma garrafa de vinho verde, peço-vos que me relevem alguma incongruência ou inconfidencialidade.

more and more

Por ter colocado no Forum (espanhol) de Cactos e Suculentas que frequento, uma mensagem onde referia que trocava ou oferecia estacas (esquejes) de suculentas, acabei por receber cinco pequenas caixas (cheias) de novas espécies, que já estão plantadas, e que levaram a que voltasse a encher alguns dos vasos que tão alegremente tinha esvaziado .
Estão de "vento em popa" as sementeiras dos cactos e outros e no final do Verão terei de encontrar mais algum espaço para os colocar!

more and more

A razão deste "post" é mais ampla do que indica o seu título. Nós queremos sempre dizer mais (nas entrelinhas) do que aquilo que geralmente admitimos.

Para além de estar a constituir uma "força de bloqueio" para a pintura, este meu recente cacto-vício, terapia magnífica, quando a vida me resolveu presentear com uma até esse momento inédita e indesejada instabilidade afectiva e emocional (isto de escrever "meio-bêbado" resulta!!! Pelo menos quando leio isto com olhos de "meio bêbado"... )
Voltando ao vício: Tenho com esta "picante" actividade (muitas vezes em substituição de outras) um enorme prazer e a sensação de que acumúlo(?) estranhos conhecimentos.
É óbvio de que permanentemente me questiono sobre as motivações e as consequências sociais e pessoais resultantes desta opção(?). Conheci um simpático grupo de pessoas, com quem partilho este vício, sinto-me pontual e socialmente integrado (o que me ajudou a restabelecer pontos de referência, num momento em que, embora fortes, eram poucos) e voltei a sentir paixão.

Agora, olho para tudo isto com uma distância que pretendo seja saudável e minimamente racional, esperando que esteja próxima a colheita dos frutos desta aventura.

Carruanthus caninus first flower

Ps. Mesmo que tudo isto não faça sentido algum... já serviu para, virtualmente, dar um beijo a cada um de vocês (eu já vos tinha avisado que era muito beijoqueiro!!!)

18 julho 2007

Uma boa companhia...



...na grande maioria das ocasiões!

Experimentem!

Algumas sementes

Hoje, quando cheguei a casa, retirei da caixa do correio um envelope proveniente de Oklahoma (USA) que continha sementes de:

Euphorbia capsaintemariensis

Aloe deltoideodonta

Ariocarpus fissuratus

Pachypodium saundersii

Pachypodium rosulatum stenanthum

Pachypodium brevicaule

Pachypodium baronii

Já está tudo semeado!

Ps. Alguém sabe de um hectare para alugar....e! ;)

16 julho 2007

justo, justinho!

kalanchoe thyrsiflora
kalanchoe thyrsiflora

Mesmo que melhorem os nossos métodos de organização pessoal, a nossa capacidade produtiva (i.e. Fazer muitas coisas em pouco tempo) vai diminuindo à medida que os anos passam.

Passaram num ápice, estes dois recentes e deveras compensadores dias de "blog-ausência", durante os quais tive a visita de um grande, grande amigo de Almeria (Espanha), responsável por muitos dos meus momentos felizes, enquanto artista plástico em terras ibéricas*!
O entusiasmo e empenho com que ele sempre tratou o meu trabalho, tem sido um eficaz nutriente (mais do que apenas "combustível") na minha crença de que há um sentido próprio no rumo que vou tomando.

Estou a dever algumas horas ao sono, mas ficou no ar uma energia boa, tranquila e motivadora.

Tenham uma belíssima semana!


*Nota: Apesar da forte e calorosa relação que tenho com as gentes de Espanha, acho um perfeito disparate a recente declaração do José Saramago (de quem sou fiel leitor).

12 julho 2007

Infinito particular*


*Marisa Monte

Abrem-se crateras à minha volta.
Eu já sabia que elas lá estavam, mas fui adiando o inevitável.
Agora, tudo está (ainda) mais frágil.
A vida aponta-me um sentido, um sentido único!
Todos sobrevivemos à desilusão.

11 julho 2007

Bolhas

stone

Agarro-me ao fio do tempo, esse frágil e fugidio cabo de aço, no qual colo as minhas fragmentadas vivências, bolhas de sensações, construindo a ilusória continuidade da vida como se tudo fizesse sentido.
Não há muita diferença (por vezes não há nenhuma) entre aquilo que aquilo É e o que pensamos que aquilo Seja. Passamos a vida a substituir realidades, da mesma subtil e eficaz forma que o boato ou a mentira-com-um-pouco-de-verdade ou ainda a verdade-com-um-pouco-de-mentira se instala.
Olho para o mundo, o meu mundo imediato, como se fosse um dominó com-sequência pouco controlável, que permite emparelhar o 2 com o 2,15 ou com o 1,87, dando sempre lugar a um acerto final.
Efectivamente, é no meu mapa de conflito pessoal, na minha zona de fronteiras, na minha (por enquanto) controlada multiplicidade, que reside a minha perigosa razão.


ps.(Estou cada vez mais hermético no meu discurso escrito. Imagino que pensem: "Está com a bolha!")

10 julho 2007

O engano

ear

Poder-se-á pensar de que a nossa complexidade, enquanto seres sociais, é inversamente proporcional à nossa previsibilidade: Quanto mais complexos, menos previsíveis.
Mas, parece-me, não existir uma relação directa (positiva ou negativa) entre as duas vertentes. Isto, porque a complexidade de cada um de nós tem uma localização própria e não constante, uma espécie de centro "magnético", de atracção e repulsa, que temporalmente varia, de acordo com a experiência de vida.
Muitas das vezes, somos vítimas de um engano, um engano muito peculiar, um auto-logro que nos leva a acreditar de que somos ou de que os outros são de determinada maneira. Diz o povo que "Não há maior cego do que aquele que não quer ver!" e isto aplica-se-nos de uma forma absolutamente abrangente.
A parte dramática do problema é que frequentemente insistimos no erro, no erro de querer ser ou de que os outros sejam aquilo que não somos, nem os outros são. Com este tipo de atitude, nada mais fazemos do que adiar o seu desfecho, prolongar a agonia, angustiarmo-nos com a nossa própria cobardia e inacção.

A consciência do facto acrescenta leveza ao fardo.

Luz matinal

morning light

Sempre tive alguma dificuldade em levantar-me cedo. Refiro-me ao acto em si, aquele movimento de puxar a roupa para o lado e colocar os pés no chão. Muitas foram as vezes em que deixei que o meu corpo deslizasse até ao rebordo do colchão, na esperança que algures, à beira do precipício, encontrasse suficiente motivação para iniciar mais uma jornada.

Agora, deve ser mesmo porque estou a ficar velhote..., não me é tão difícil tal tarefa. Apesar disso, continuo a deitar-me sempre depois das 0:30, o que me faz chegar ao final da semana com um razoável débito de sono!

Especialmente na primavera e verão, depois de acordar (algures, entre o (des)barbear e a entrada para o duche) gosto muito do ar fresco, da sensação de luz limpa e dia grande, de possibilidade e de conquista, de recomeço!

Respiro fundo.

09 julho 2007

fronteiras



Gosto de fronteiras,... não da sua função de dividir, de separar ou impedir, mas da sua implícita zona de proximidade, de limite, essa zona de fronteira que tem a maravilhosa capacidade de ser simultaneamente princípio e fim, "cá" e "lá".
À ideia de fronteira associo o "estrangeiro" e o estrangeiro do "estrangeiro", que somos todos nós, associo o lado fascinante e perverso do anti-espelho e à minha vontade de ser mais, de ser descoberta, de ser conhecimento.

O Pensamento propaga-se através de processos autofágicos.

06 julho 2007

caminhar


walk
Originally uploaded by EzLost.

Pouso as mãos no teclado e o olhar no monitor, na esperança de que me puxem e digam o que fazer ou sobre o que escrever.
Espero pela mesma força magnética que leva a mão ao lápis e seguidamente ao papel. Espero que o "outro" em mim me conduza e me mostre paisagens e palavras novas, parágrafos completos e sestas infantis.

Um passo atrás do outro, isso, agora esta perna, sim, agora a outra.

De dia espero luz, à noite, beijos.

05 julho 2007

revisitar ...

hands

...alguns dos muitos diários gráficos que ao longo destes anos fiz.

E porque não?

Há algumas semanas atrás, quando comentei com um amigo meu de que em Novembro próximo iria realizar uma exposição em Almeria (Espanha), ele perguntou-me se eu iria mostrar os trabalhos que expus no Museu de História Natural - Sala do Veado.
Disse-lhe que, embora já esteja atrasado na tarefa, iria tentar pintar toda uma nova série, mas fiquei a pensar que, em última análise, isso talvez não seja má ideia.
As peças são grandes 200x160cm, estão fotografadas, ainda tenho um conjunto considerável, só foram vistas em Lisboa e... fiz um enorme investimento (cerca de 10.000 euros).

pint1peq

Se entretanto recomeçar a pintar... tenho já marcada outra exposição em Espanha (em Abril de 2008) e poderei então mostrar os novos trabalhos!


PS. Ontem, encontrei alguns poemas que escrevi expressamente para serem musicados... e estive a delinear algumas melodias... Nada de especial, mas ficou no ar um sussuro!