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18 abril 2009

Sabia que virias



fóssil

Sabia que virias.
Há muito que tínhamos marcado este encontro,
tantas vezes adiado, tantas vezes sublimado.
A minha resistência, a tua persistência.

Sabia que virias.
Emprestaste-me a força que me ajudou a sobreviver
e, justificadamente, agora vens reclamá-la.
Eu tinha-o lido em livros antigos, em livros modernos,
ouvido nas vozes dos que contigo estiveram
ou que de longe te observaram.

Sabia que virias.
Até percebo que te temam e se afastem de nós,
pois tu deixas marcas, mesmo em quem de ti apenas se aproxima,
mas isto é algo profundamente íntimo, algo apenas nosso.

Sabia que virias.
Aceito-te, como durante meses aceitei a dádiva
de simultaneamente conseguir ser dia, noite, pai, companheiro,
enfermeiro, carcereiro, criado e finalmente, ninguém.

14 abril 2009

unconditional lie



sad

(Recitado)

Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese no sé qué, ¿viste?.
Salís de tu casa, por Arenales .
Lo de siempre: en la calle y en vos...
Cuando de repente, de atrás de un árbol, me aparezco yo.
Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte a Venus:
medio melón en la cabeza, las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies y una banderita de taxi libre
levantada en cada mano. ¡Te reís!...
Pero sólo vos me ves: porque los maniquíes me guiñan;
los semáforos me dan tres luces celestes,
y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares.
¡Vení!, que así, medio bailando y medio volando,
me saco el melón para saludarte,
te regalo una banderita y te digo...


(Cantado)

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
No ves que va la luna rodando por Callao
que un corso de astronautas y niños, con un vals,
me baila alrededor... ¡Bailá!... ¡Vení!... ¡Volá!

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión;
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos:

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!

Recitado

Salgamos a volar, querida mía;
subite a mi ilusión supersport,
y vamos a correr por las cornisas
¡con una golondrina en el motor!
De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!"
los locos que inventaron el Amor:
y un ángel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.

Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco –pero tuyo– ¡qué sé yo!:
provoco campanarios con la risa,
y al fin, te miro, y canto a media voz:

(Cantado)

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepatea esta ternura de locos que hay en mí,
ponete esta peluca de alondras ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite a los amores que vamos a intentar
la mágica locura total de revivir
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!

(Gritado)

¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca ella y loco yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca ella y loco yo!

02 abril 2009

Urgência

Tudo muda num dia, numa hora, num segundo.
Ontem fiquei a saber que um grande amigo meu está internado no IPO do Porto há cerca de um mês (eu sabia que ele estava em tratamento oncológico, mas por razões incontornáveis não soube dele durante algum tempo) e fiquei muito triste, mas imediatamente decidi ajudá-lo em tudo o que puder.
Só a bondade dos meus amigos me transformam naquilo que sou.

Outro (novo) amigo que está prestes a perder o emprego, ganhando uma entrevista para uma outra oportunidade, uma família que não me escuta quando deve, mas exige firme atitude em todo o resto do tempo, a saudade e a preocupação com um ex-amor que consome quase toda a minha energia anímica...

Aguento-me, porque quero fazer a diferença, porque ajudando, justifico-me!

getting older, fortunately

31 janeiro 2009

let me be


sedum album

Um pouco de azul

riphsalys policarpa buds
riphsalys policarpa

As pessoas, às vezes, têm comportamentos estranhos: aproveitam qualquer oportunidade para projectar nos outros todo o seu conflito interior, vitimizando-se, arranjando novas frentes de combate, fugindo do que realmente as incomoda.
Claro que todos temos diferentes formas de lidar com os problemas. No entanto, no que diz respeito à relação com os outros e no que me diz respeito, odeio mal-entendidos. Prefiro que me digam imediatamente, ou na primeira oportunidade, que não gostaram de algo que eu tenha feito ou dito, para que se possa esclarecer o sucedido, do que "fermetem", "confabulem", imaginem, visceralmente se zanguem e me apresentem as coisas como um "facto definitivo e consumado"!

Como se diz em Espanha:
"A Água clara e o Chocolate Espesso!"

19 janeiro 2009

"E agora, algo completamente diferente"

(Que me perdoem os mais sensíveis. Já passou!)


agave potatorum
Agave potatorum

5 de Dezembro
Aprendo o Vazio, da forma mais eficaz. Escapa-se-me a ideia que faço da Vida, mas provavelmente é apenas (e tanto) isto.
Desvanece-se-me a lembrança da lembrança do tempo em que ilusoriamente fui feliz e, por essa mesma razão, profundamente feliz, em tempos que pareciam eternos, absolutos.
Perdi a sombra do que fui e, agora, apenas permanecem os objectos de que disso fazem prova. O esforço que faço para tentar reiniciar a disciplina da pintura é semelhante ao de tentar provocar o vómito. Doem-me as entranhas e, aparentemente, o resultado é nulo. No entanto, luto para manter viva esta vontade de não desistir.

8 de Dezembro
Tenho de mim uma imagem parda, sem graça, decepada. São inseguros os meus gestos, que não passam de anúncios de segunda categoria, cujos produtos, já nem os tontos querem comprar.
Não consigo evitar esta autocomiseração, pois estou cheio de vazio. Durante muito tempo, demasiado tempo, apenas fui útil, de utilidade, utilizável e, agora, que isso só já não quero ser, esqueci-me do que antes disso fui e sobrevivo, num bunker com janela.
Recomeço a construção, impondo-me o único caminho momentaneamente possível: a futilidade existencial. Não tenho força para mais. Respiro racionadamente, porque pago agora o tempo em que usava o dobro do fôlego a que tinha direito. Não quero perguntas, acusações, culpas, nem conversas. Quase tudo me é estranho, menos a dor, que me é familiar, pois já há muito que tem a chave da minha alma.
Corro sérios riscos de magoar os que me rodeiam, nestes tempos que agora começam, pela necessidade que tenho em ser egoísta. Sinto os dias, como se fossem agulhas de Vudu.

Escavar...

hope

...com as unhas.

18 janeiro 2009

À flor da pele*

Aloe haworthoides flowers macro
Aloé haworthoides

Mesmo confiando na ideia que tenho de futuro, tacteio os dias, hora a hora.
Este é um tempo em que ainda espero que se formem as cicatrizes, que serão novos caminhos no meu mapa de vida.
Sou vago hoje, seguro amanhã, vago amanhã, seguro hoje.