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12 abril 2009

Life's too short, so please love and be happy








(Esta versão também é muito interessante!...)

I heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this, the fourth, the fifth, the minor fall, the major lift, the baffled king composing Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Your faith was strong but you needed proof, you saw her bathing on the roof, her beauty in the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair, she broke your throne, she cut your hair, and from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe I have been here before, I know this room; I have walked this floor, I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the marble arch, love is not a victory march, it's a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

There was a time you let me know whats really going on below, but now you never show it to me, do you? (and)
Remember when I moved in you; the holy dark was moving too, and every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe there's a God above, and all I ever learned from love was how to shoot at someone who outdrew you
And its not a cry you can hear at night, its not somebody who's seen the light, its a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu--jah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu---u---jah

30 janeiro 2009

Encontro

Summer 2004



Entre Cortumes e Alviste não existia riso mais sonoro e ao mesmo tempo mais contagiante que o de Manuela. Entre Alviste e Pontadas não havia choro mais angustiante e piedoso que o de Raúl. Quando um dia uma prima comum se casou, convidou-os a ambos para a boda e aí se conheceram. Ela riu-se e ele fez beicinho. Durante a cerimónia de casamento, Manuela, que achava graça a tudo o que o padre dizia, só com as contínuas cotoveladas da sua mãe, tia de sua prima, se controlava. Quando os noivos disseram o Sim, ela deu uma gargalhada e todos os convidados serviram de coro ao seu riso solo. Todos, menos Raúl que, talvez espantado com tudo aquilo e apesar de ter fungado o tempo todo, naquele momento se calou.
Quando a cerimónia acabou, Manuela foi a primeira a sair da igreja e da sua mala de mão tirou um saco de arroz, que parecia maior do que a própria mala. A todo o custo, queria ser a primeira a desejar riqueza aos noivos e tudo o mais que se pode desejar, quando a alguém se atira punhados de arroz. Claro que o entusiasmo fez com que, mesmo antes de eles cá estarem fora, ela começasse a despejar o saco e, tendo a certeza que sua prima e o seu novo primo eram os próximos, encheu generosamente a sua grande mão e… tomem lá primos! Mas era Raúl quem vinha a sair, para fugir à confusão.
Até hoje ninguém consegue perceber como conseguiu ela encher-lhe a boca de tanto arroz. Se pela sua acidental pontaria, se pela boca aberta dele, ao soluçar.
Manuela, quando deu pelo sucedido, riu-se mais ainda e Raúl, de surpresa, calou-se e nem cuspiu o arroz, o que a fez dobrar o indobrável riso, provocando uma saída mais apressada da igreja de todos os convidados, que querendo descobrir o que se passava, empurram Raúl da porta da igreja e que, só nesse momento, se livrou do malfadado arroz.
Quase ninguém percebeu o que se tinha passado. Manuela, embora quisesse, não o conseguiu explicar, porque ria cada vez mais ao lembrar-se do ar de Raúl, que parecia um daqueles ratos que ela uma vez viu numa loja da cidade e que ficam com as bochechas cheias de comida, a olhar para quem olha para eles.
O casamento e a boda, para conveniência dos convidados que eram metade de Cortumes e metade de Pontadas e para além disso viriam a pé a maior parte do caminho, teve lugar em Alviste. Durou um dia só, porque não havia como instalar os convidados e as famílias também não eram suficientemente abastadas para que assim não fosse.
O almoço começou quando já todos tinham vontade de jantar. O Estio governava o céu, o que lhes permitiu ficar até mais tarde e poderem chegar sãos e salvos a casa, livres dos ataques dos lobos que por aqueles montes ainda existiam. Raúl, apesar do que se possa pensar, era destemido e não tinha medo de lobos. Quando já a maior parte dos convidados tinha saído, Raúl ofereceu-se para levar Manuela a casa e ela aceitou, mas não sem antes, com os seus grandes olhos brilhantes, ter pedido consentimento aos mais velhos que ali estavam presentes, levantando-se e saindo somente quando o Raúl disse É tarde.
Estava amena a noite e presente a Lua que, embora partida, iluminava bem todos os mais carreiros, que caminhos. Manuela, que tudo queria ver na terra e no céu, tropeçou numa pedra e caiu, torcendo um pé. A partir daí, só ajudada pelo Raúl conseguiu andar e meia de caminho, que faltava ainda, chegou para que, nos braços dele, ela sentisse ternura e protecção. Então, sem dizer uma palavra, deu-lhe um beijo e ele gostou tanto, que sorriu. Nem a Lua brilhava tanto quanto o seu sorriso. Ao ver isso, Manuela comoveu-se e chorou, chorou o sorriso dele.
Agora entre Cortumes e Pontadas não existe maior felicidade que a de ambos.


Julho, 1994

Se pudesse...





... ser assim.