01 julho 2009

Seis meses, meio ano ou uma eternidade

Apenas a dimensão física do mundo nos obriga a medir e a contar o tempo da forma que estamos habituados e que, diga-se de passagem, é perfeita.
No entanto, basta pensar "alguns segundos" e apercebo-me de que o que acabo de escrever é tremendamente impreciso, discutível e até prova do seu contrário.
Como qualquer outra frase, o que escrevi, tem as sua fragilidades e virtudes, e interage de forma singular com o "leitor" que, por sua vez, tem também o seu próprio tempo, diferente do meu, diferente dos outros, diferente até do seu, de outros momentos.
O tempo não é linear, é multidimensional, expandindo-se e contraindo-se, em movimentos elipsoidais concêntricos não-fixos, ao som de melodias desconhecidas, para além de que as palavras são também elas prenhes de tempo e, de uma forma autofágica ou autodisseminadora, utilizam a inteligência humana como seu privilegiado espaço de recreio.



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Este preâmbulo não é nada (quase nunca é) daquilo que pensei escrever para "justificar" um pouco o meu pseudo-afastamento (físico) da maior parte d@s amig@s, durante estes recentes meses, mas acreditem (eu sei que acreditam!...) que muitas das vezes nem eu tenho paciência para me aturar!

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Estou de volta!

28 junho 2009

it's gonna be a bright bright bright bright sun shiny day

aeonium arboreum enigma

Sinto-me tentado a afirmar que aprendi mais nestes últimos dois anos da minha vida, que durante os anteriores quarenta e três. Na verdade, refiro-me à "qualidade" e não à quantidade dos ensinamentos, porque a diversidade de algumas situações a que estive exposto foi profusamente pedagógica.
Navego ainda em mares incertos, às vezes velejando, outras vezes agarrado a destroços, que cada vez mais me parecem ossadas.

No entanto, algo mudou, bastante está a mudar, muito mudará ainda.

20 junho 2009

Estonteante

Há um perfume que se espalha pelo jardim, enquanto na noite todas as plantas se curvam perante a beleza desta flor
echinopsis pachanoi flower

white satin

Indescritível.

16 junho 2009

Insistir

a little rest

Insisto na possibilidade de continuar a Ser para além de mim. Um lápis, um caderno, o desafio, sempre me conheci assim, à procura do que estava dentro da folha branca, do que estava dentro daquilo que ia pensando. Acabei por me viciar no consumo do pensamento, essa substância durante tanto tempo proibida e ainda hoje pouco respeitada.
Senti-me tremendamente abençoado quando aprendi a rir de mim próprio e a perceber o quão ridículo conseguia por vezes ser, quando genuinamente aceitei que os outros têm direito a ter defeitos (sem que tenha necessariamente que aceitar todos os defeitos em todos os outros), quando finalmente senti que tinha valido a pena ter tentado ser justo e honesto com os outros e principalmente comigo mesmo, nas relações profissionais, pessoais, afectivas e no meu percurso artístico.

Sei que ainda me falta muito, apesar do muito que já não me falta.
Com uma certa ternura, olho para o meu próprio envelhecimento e apercebo-me de que todos os meus tesouros são infantis. Tenho imensa sorte, pois apenas esses são eternos.

Faço uma pequena ideia de quem sou e isso, meus queridos amigos,...